Não conseguirmos enquadrar correctamente as Partes Interessadas pode ter um efeito nefasto e comprometer o futuro. Vamos por pontos:
1 - Anteriormente falámos sobre competências. Pode rever aqui: https://qualityevaluationcenter.blogspot.com/2020/10/competencia-aquele-requisito-que-ainda.html
Faz sentido, certo?
2 - Ontem fui abordado pelo proprietário do condomínio onde estamos (não sei se já sabia mas mudámos de instalações. São giríssimas e temos uma máquina de café preparada para o receber, com as devidas precauções e recomendações da DGS). Vinha com uma formanda de um curso de técnico de contabilidade e questionou se estávamos disponíveis para a receber durante umas semanas para completar a sua formação. Como estamos cá também para ajudar, aceitámos.
3 - A meio da manhã, na pausa para café, meti conversa com a formanda. Conversa de circunstância: a sua história de vida, porque estava a fazer esta formação, perspectivas de futuro... Ora esta senhora é Brasileira. No Brasil tirou uma licenciatura (e exercia) em Pedagogia. Esta licenciatura não tem qualquer reconhecimento em Portugal. Portanto não consegue arranjar colocação na sua área de formação e vocação.
4 - Depois da pausa, dediquei algum tempo a esta formanda. Abri o programa de facturação e antes de começarmos com a parte prática, testei alguns conhecimentos base. Esta futura técnica de contabilidade não sabia o que era o Saft. O SNC foi algo referido "de passagem" (tem ideia de ter sido mencionado mas um pouco a correr). Os conteúdos da formação eram de... 2009.
Vamos a contas. 1 + 2 + 3 + 4 = Caos
Esta pessoa, em vez de ser reciclada para termos um bom profissional na sua área, foi formada para ser um mau (e infeliz) profissional numa área que não a sua.
A empresa que no futuro a acolher num contrato de trabalho, "compra" alguém que não tem os conhecimentos que, na minha modesta opinião, deveriam ser a base.
O que falha aqui?
Duas coisas: identificar TODAS as Partes Interessadas e as
respectivas expectativas correctamente.
As empresas são uma parte interessada deste trabalho que deveria colocar mão de obra devidamente qualificada no mercado. As empresa são tidas em conta? E as suas expectativas?
As pessoas envolvidas (formandos) são parte interessada neste trabalho que os deveria qualificar adequadamente e, mais do que isso, formar ou requalificar nas áreas onde podem realmente ter um futuro.
Isto faz-me recordar um momento único, proporcionado por uma pessoa amiga que é Partner de uma grande empresa de auditoria financeira. Foi convidado para uma palestra numa Universidade de renome. Todos os presentes estavam a contribuir com as suas opiniões cliché. A certa altura perguntaram-lhe qual seria, na sua opinião (ele emprega perto de 200 profissionais), o futuro do Ensino Superior em Portugal. Ele respondeu "Enquanto vocês não souberem quem é realmente o vosso cliente não vale a pena estarmos a discutir estes assuntos". Creio que nunca mais foi convidado para eventos deste género.
Assim, o conceito de identificar correctamente Partes Interessadas e respectivas expectativas torna-se essencial para qualquer organização e quiçá para o futuro de um país.
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